Para se tornar corretor de seguros no Brasil, você precisa de ensino médio completo, ser aprovado no exame nacional de habilitação (ou concluir o curso de habilitação de uma instituição credenciada, como a ENS) na área em que quer atuar e, depois, fazer o registro na Susep, que é gratuito e on-line. Na FGV, uma das duas instituições que aplicam o exame hoje, a edição 2026.2 está com inscrições abertas até 23/11/2026, e a taxa vai de R$ 550 a R$ 2.200, conforme as áreas escolhidas.
Este guia usa só fontes oficiais (regulamentos e FAQ da FGV, Susep, ENS e legislação) e termina com o que fazer nas semanas seguintes ao registro.
Em resumo (verificado em 23/09/2026)
- Tenha ensino médio completo, 18 anos (ou emancipação) e cumpra os requisitos da lei.
- Obtenha a habilitação (exame ou curso) na área em que vai atuar: Capitalização, Vida e Previdência ou Danos.
- No exame da FGV, acerte pelo menos 70% das questões da área, sem zerar nenhuma disciplina.
- Registre-se na Susep, de graça, com conta gov.br nível ouro.
- Cadastre-se nas seguradoras com que vai trabalhar e leia o acordo de comissionamento de cada uma.
Requisitos para ser corretor de seguros
A profissão é regulada pela Lei 4.594/1964, reescrita em boa parte pela Lei 14.430/2022. Ela exige habilitação técnica e registro (art. 2º). Para se registrar, o art. 3º pede que você:
- seja brasileiro ou estrangeiro com residência permanente no país;
- esteja quite com o serviço militar, se for brasileiro ou naturalizado;
- não tenha sido condenado, nos 5 anos anteriores, pelos crimes listados na lei;
- tenha habilitação técnica para a modalidade de seguro em que vai atuar.
Pelo art. 4º, essa habilitação vem da aprovação em exames ou da realização de cursos em instituições de ensino de reconhecida capacidade, conforme a regulamentação do CNSP.
Há também impedimentos. O art. 125 do Decreto-Lei 73/1966, na redação da Lei Complementar 213/2025, proíbe o corretor e os seus prepostos de ter emprego em pessoa jurídica de direito público (inclusive entidade paraestatal) e de ser empregado ou administrador de seguradora, cooperativa de seguros, administradora de proteção patrimonial mutualista ou associação ligada a esses grupos. A vedação vale também para sócios e diretores da corretora pessoa jurídica. Filiar-se a uma entidade autorreguladora não pode ser condição para o registro (Lei 4.594/1964, art. 3º, § 3º).
O ensino médio é requisito para a inscrição no exame ou no curso de habilitação (Resolução CNSP 249/2012, art. 6º, citada nos regulamentos da FGV), e faculdade não é exigida. O FAQ da FGV para a edição atual exige comprovar maioridade ou emancipação, além do ensino médio e da naturalidade (ou residência permanente, para estrangeiros).
O que muda em janeiro de 2027
A Resolução CNSP 493, de 17/07/2026, publicada no DOU em 21/07/2026, entra em vigor 180 dias depois da publicação, em janeiro de 2027. Ela reúne as regras sobre corretores, autorreguladoras e instituições de ensino e substitui treze resoluções do CNSP, entre elas a 249/2012, base dos regulamentos atuais do exame. Até lá, valem as regras de hoje. O resultado final da prova de dezembro sai perto dessa data, então confira as regras na Susep na hora de se registrar.
O exame de habilitação: áreas, formato e nota mínima
O que muita gente chama de "prova da SUSEP" é o Exame Nacional de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros, aplicado por instituições credenciadas pela Susep. Segundo a Susep, hoje duas instituições oferecem cursos e exames de habilitação: a Escola de Negócios e Seguros (ENS) e a Fundação Getulio Vargas (FGV). A lei também admite o curso de habilitação de instituição credenciada; este guia detalha o exame da FGV, e a ENS tem calendário e regras próprios.
Na FGV, o exame tem três áreas:
- Capitalização: 50 questões, 2 horas de prova.
- Vida e Previdência: 50 questões, 2 horas.
- Danos (antigo Ramos Elementares): 100 questões, 4 horas, com 30 minutos de intervalo.
As questões são de múltipla escolha, com 4 alternativas. É aprovado quem acerta pelo menos 70% no conjunto das disciplinas da área, sem zerar nenhuma delas. Um exemplo com a própria regra: em Danos, 70% são 70 acertos. Mesmo com 80 acertos no total, quem zera Riscos Diversos, disciplina de 5 questões, é reprovado.
Pelo regulamento da edição 2026.2, a prova é somente on-line e remota, com webcam e microfone ligados o tempo todo. Sair do campo de visão da câmera elimina o candidato, não há pausa para ir ao banheiro, e celular, segunda tela e fones são proibidos. O computador precisa de Windows 10 ou superior e Google Chrome, e a FGV libera um ambiente de testes entre 26/11 e 04/12/2026 para conferir o equipamento e fazer o cadastro biométrico. Para Matemática Financeira, a plataforma oferece uma calculadora financeira no estilo da HP12C; calculadora pessoal não é permitida. Se a luz ou a internet caírem, a prova não é retomada, e o próprio regulamento sugere notebook carregado e internet reserva.
Depois do resultado preliminar, você tem 2 dias úteis para recorrer de cada questão, sem taxa.
Quanto custa para ser corretor de seguros em 2026
| Área | Edição 2026.1 | Edição 2026.2 |
|---|---|---|
| Capitalização | R$ 530 | R$ 550 |
| Vida e Previdência | R$ 530 | R$ 550 |
| Danos | R$ 1.050 | R$ 1.100 |
| Todas as áreas | R$ 2.100 | R$ 2.200 |
| Registro na Susep | Gratuito | Gratuito |
Exemplo: quem quer vender seguro auto e seguro de vida faz Danos e Vida e Previdência. Na edição 2026.2, isso custa R$ 1.100 + R$ 550 = R$ 1.650. Com mais R$ 550, o pacote de todas as áreas inclui também Capitalização.
A taxa é paga por boleto ou cartão, nas parcelas que a FGV oferecer, e só é devolvida se a própria FGV cancelar o exame. Curso preparatório é opcional. Na edição 2026.2, os inscritos ganham 6 meses de acesso a um videocast da FGV (Conexão Seguros), que não substitui um curso. Se você não tem computador com Windows, webcam e microfone, some esse custo. O curso de habilitação não entra nesta tabela: o preço é definido pela instituição que o oferece.
Calendário: a edição 2026.1 e a próxima
| Etapa | Edição 2026.1 | Edição 2026.2 |
|---|---|---|
| Inscrições | 10/04 a 29/06/2026 | 01/09 a 23/11/2026 |
| Último dia para pagar | 01/07/2026 | 25/11/2026 |
| Provas | 11 e 12/07/2026 | 05 e 06/12/2026 |
| Resultado preliminar | 14/07/2026 | 08/12/2026 |
| Resultado final | 24/08/2026 | 10/01/2027 |
No primeiro dia de prova são aplicadas Capitalização e Vida e Previdência, e no segundo, Danos. Até 23/09/2026, o site da FGV não mostrava edição para 2027. Acompanhe em seguros.conhecimento.fgv.br.
Qual área escolher
- Danos: automóvel, responsabilidade civil, seguros compreensivos, riscos de engenharia, transportes, garantia, patrimonial e riscos diversos. É a área de quem quer vender seguro auto, residencial ou empresarial.
- Vida e Previdência: seguros de pessoas (vida individual, vida em grupo e acidentes pessoais) e previdência privada.
- Capitalização: títulos de capitalização, inclusive os usados como garantia de aluguel.
Dá para se inscrever em mais de uma área na mesma edição. Plano de saúde fica fora dessa conta: o produto é regulado pela ANS e não aparece entre as áreas do exame. A ANS informa que os corretores de planos de saúde são regulados pela Susep, mas não encontramos norma da ANS que exija a habilitação para quem intermedeia só planos de saúde, e as exigências de cadastro variam por operadora e administradora. Confirme com quem você pretende representar. A remuneração nesse mercado, com agenciamento e vitalício, está em comissão para corretores de planos de saúde.
Registro na SUSEP passo a passo
- Espere o resultado final. Pelo regulamento 2026.2, a FGV envia a lista de aprovados à Susep em até 3 dias úteis depois do resultado final. O certificado só sai depois que você comprova os pré-requisitos, como a conclusão do ensino médio.
- Tenha conta gov.br nível ouro. A Susep exige esse nível, que se obtém por validação biométrica ou reconhecimento facial no aplicativo gov.br.
- Entre no Sistema de Cadastro de Corretores (www2.susep.gov.br/safe/Corretores) com o login gov.br.
- Preencha seus dados, envie uma foto do rosto e indique os produtos que vai intermediar.
- Emita a certidão de registro no site da Susep. É ela que comprova que você é corretor registrado.
Segundo o gov.br, o cadastro leva cerca de 10 minutos e não tem custo. Para registrar uma corretora com CNPJ, você se cadastra primeiro como pessoa física e depois repete os passos para a empresa, com o contrato social em PDF, os dados dos sócios e um responsável técnico habilitado.
Pessoa física ou corretora com CNPJ
Você pode começar como pessoa física. Na Susep, o cadastro da empresa vem depois do cadastro do corretor pessoa física, então o CNPJ pode esperar até fazer sentido.
Corretor de seguros pode ser MEI?
Não. A corretagem de seguros não está entre as ocupações permitidas ao MEI no Anexo XI da Resolução CGSN 140/2018. Para registrar a empresa na Susep, o CNPJ precisa ter o CNAE 6622-3/00 (corretores e agentes de seguros, de planos de previdência complementar e de saúde), e a razão social deve conter "Corretor(a) de Seguros" ou "Corretagem de Seguros". A corretora só pode intermediar os produtos em que o responsável técnico está autorizado a operar. O passo a passo do CNPJ, do cadastro da empresa na Susep e do prazo de opção pelo Simples está em como abrir uma corretora de seguros.
No Simples Nacional, a corretagem de seguros é tributada no Anexo III (LC 123/2006, art. 18, § 5º-B, XVII). A primeira faixa, até R$ 180 mil de receita em 12 meses, tem alíquota nominal de 6%. A alíquota efetiva depende da receita acumulada. O ISS é municipal, e a corretagem de seguros está no item 10.01 da lista da LC 116/2003. No Simples, o ISS já está incluído na alíquota do DAS; fora dele, a alíquota municipal fica entre 2% e 5%, conforme a cidade. Regime e momento de abrir a empresa dependem da sua receita e do seu município, então converse com um contador antes de decidir. Os tributos de cada formato estão em imposto de corretor de seguros.
Os primeiros 90 dias depois do registro
A certidão não traz cliente. O que você fizer nas primeiras semanas define como a carteira estará daqui a um ano. Se algum termo da proposta ou do extrato ainda soa estranho, o glossário de seguros reúne os do dia a dia.
Confira o seu registro na consulta pública. Qualquer pessoa, inclusive clientes e seguradoras, pode buscar um corretor por nome, CPF ou CNPJ no serviço Consultar Corretores Susep. Veja se os seus produtos aparecem certos.
Cadastre-se nas seguradoras. Pela Lei 4.594/1964, a seguradora só recebe proposta por meio de corretor habilitado ou do próprio cliente (art. 18), e só recebe a corretagem o corretor habilitado que assinou a proposta (art. 13). O cadastro e os documentos pedidos mudam de seguradora para seguradora, então peça a lista ao comercial de cada uma.
Leia o acordo de comissionamento antes da primeira venda. A lei fala em "corretagem pactuada", e não existe tabela oficial de comissões. Percentual, prazo de repasse e exigência de nota fiscal estão no acordo de cada seguradora, como mostramos em quando a seguradora paga a comissão do corretor.
Informe a sua remuneração ao cliente. A Resolução CNSP 382/2020 (art. 4º, § 1º) obriga o corretor a informar formalmente ao cliente, antes da contratação, o valor da sua remuneração junto com o prêmio e se tem contrato de exclusividade: se tiver, com quais seguradoras; se não tiver, com quais trabalha. Há também outras informações, como participações societárias relevantes (de 10% ou mais) entre o corretor e uma seguradora. Faça disso um passo fixo do atendimento desde o primeiro cliente.
Organize a carteira desde o primeiro cliente. Cadastre cada cliente com CPF ou CNPJ como chave e cada apólice com vigência, prêmio e comissão combinada. Para começar, o modelo da planilha de clientes para corretores de seguros é gratuito, e o modelo de planilha de controle de seguros, também gratuito, acompanha os vencimentos e a comissão de cada parcela.
Quanto ganha quem está começando
Não há salário nem piso: a renda do corretor é a corretagem combinada em cada produto com cada seguradora, e ela varia com o ramo, a seguradora e a negociação. Desconfie de promessa de renda fixa para quem acabou de se registrar.
A comissão costuma acompanhar o pagamento do prêmio pelo cliente, não a emissão da apólice. Exemplo fictício: uma comissão total de R$ 240 numa apólice com prêmio em 12 parcelas entra como R$ 20 por mês, ao longo de um ano. O passo a passo da conta, com agenciamento e co-corretagem, está em como calcular comissão de corretor de seguros. A conta da carteira inteira, com renovação, impostos e custos, está em quanto ganha um corretor de seguros.
Conclusão
Ser corretor de seguros em 2026 passa por quatro etapas: cumprir os requisitos, obter a habilitação na área escolhida (no exame da FGV, com 70% sem zerar disciplina, ou no curso de habilitação de uma instituição credenciada), fazer o registro gratuito na Susep e se cadastrar nas seguradoras. Para a prova de dezembro, as inscrições da FGV vão até 23/11/2026. Valores e regras mudam a cada edital, e a Resolução CNSP 493/2026 entra em vigor em janeiro de 2027, então confira os links oficiais antes de pagar qualquer taxa.
Depois do registro, o primeiro passo prático é organizar os clientes. O modelo de planilha de clientes em Excel é gratuito e não pede cadastro.
Quando a carteira começar a crescer, o Insurance OS reúne clientes, apólices, renovações e comissões em um só lugar. Você importa a planilha por CSV ou envia os PDFs das apólices para leitura com IA e revisa os dados antes de salvar. O sistema avisa dos vencimentos e mostra a comissão esperada de cada parcela. O teste dura 21 dias e não pede cartão.
Fontes
- FGV Conhecimento: Exame Nacional de Habilitação para Corretores de Seguros
- FGV Conhecimento: perguntas frequentes do exame
- Regulamento FGV nº 02/2026, edição 2026.2 (PDF)
- Regulamento FGV nº 01/2026, edição 2026.1 (PDF)
- ENS: Ser Corretor (curso e exame de habilitação)
- Susep: perguntas frequentes sobre corretor de seguros
- gov.br: Cadastrar corretores de seguros
- Susep: Sistema de Cadastro de Corretores
- gov.br: Consultar Corretores Susep
- Susep: notícia sobre a Resolução CNSP 493/2026
- Lei 4.594/1964, texto compilado. O cabeçalho ainda cita a MP 905/2019, que perdeu a validade em 2020. A lei continua em vigor e foi alterada em 2022 e 2025.
- Lei Complementar 213/2025, que deu nova redação ao art. 125 do Decreto-Lei 73/1966
- Resolução CNSP 382/2020
- Anexo XI da Resolução CGSN 140/2018, ocupações permitidas ao MEI (PDF)
- IBGE Concla: CNAE 6622-3/00
- Lei Complementar 123/2006 (Simples Nacional)
- Lei Complementar 116/2003 (ISS)
Informações verificadas em 23/09/2026.
Perguntas frequentes
Precisa de faculdade para ser corretor de seguros?
Não. O requisito de escolaridade é o ensino médio completo, exigido pela Resolução CNSP 249/2012 para a inscrição no exame ou no curso de habilitação. Curso superior não é obrigatório.
Quanto custa a prova para corretor de seguros em 2026?
Na edição 2026.2 da FGV, a prova custa R$ 550 em Capitalização, R$ 550 em Vida e Previdência, R$ 1.100 em Danos e R$ 2.200 para todas as áreas. Na edição 2026.1, os valores eram R$ 530, R$ 530, R$ 1.050 e R$ 2.100. A ENS tem calendário e preços próprios.
A prova para corretor de seguros é on-line?
Na FGV, sim: o regulamento da edição 2026.2 prevê somente a prova on-line e remota, com webcam e microfone ligados o tempo todo, em computador com Windows 10 ou superior e Google Chrome. A calculadora financeira fica na própria plataforma, e calculadora pessoal não é permitida.
Qual a nota mínima para ser aprovado?
Na FGV, é preciso acertar pelo menos 70% das questões no conjunto das disciplinas da área escolhida, sem zerar nenhuma disciplina. Quem zera uma disciplina é reprovado mesmo com o total acima de 70%.
O registro na SUSEP é pago?
Não. A Susep informa que o cadastro e a atualização cadastral de corretores, pessoa física ou jurídica, são gratuitos. O registro é feito on-line no Sistema de Cadastro de Corretores, com conta gov.br nível ouro.